20/09/2026 · 10 min de leitura
Adubação do Milho: NPK, Nitrogênio de Cobertura e Doses por Hectare
Por Eduardo Nunes · 20/09/2026
Adubar milho é, antes de tudo, acertar o nitrogênio. Diferente da soja, o milho não fixa N do ar e responde fortemente à adubação nitrogenada de cobertura: segundo publicações da Embrapa Cerrados, cada tonelada de grão exporta em torno de 15 a 20 kg de N, 5 a 9 kg de P2O5 e 4 a 6 kg de K2O, de modo que lavouras de 150 a 200 sacas por hectare trabalham com faixas de referência de cerca de 100 a 180 kg de N por hectare, parceladas entre o plantio e uma ou duas coberturas, além de 70 a 120 kg de P2O5 e 60 a 110 kg de K2O na base, ajustados pela análise de solo. A fonte de N mais usada é a ureia; o sulfato de amônio entra quando há necessidade de enxofre ou risco alto de perda por volatilização. Este é um conteúdo educativo de apoio: não substitui a recomendação de um engenheiro agrônomo habilitado.
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Usar a calculadora gratuita1. Necessidade nutricional do milho: extração e exportação
O milho é uma cultura de alta demanda por nitrogênio e potássio, com boa parte do potássio ficando na palhada e retornando ao solo. O que sai definitivamente da lavoura é o que está no grão — e é essa exportação que precisa ser reposta, no mínimo, todo ano.
Segundo publicações da Embrapa Cerrados, a exportação por tonelada de grão fica em torno de 15 a 20 kg de N, 5 a 9 kg de P2O5 e 4 a 6 kg de K2O, com extração total (planta inteira) bem superior, sobretudo em potássio. Numa lavoura de 180 sacas por hectare (10,8 t/ha), isso representa algo como 160 a 215 kg de N exportados no grão.
Esse volume explica o peso da ureia no custo da lavoura de milho. Acompanhar o preço da ureia e do sulfato de amônio posto no seu município deixa de ser detalhe financeiro e vira parte da decisão de dose e de fonte.
- Exportação aproximada por tonelada de grão: 15 a 20 kg de N, 5 a 9 kg de P2O5 e 4 a 6 kg de K2O.
- A extração total de potássio é muito maior que a exportação: a palhada devolve a diferença.
- Nitrogênio é o nutriente de maior resposta e de maior peso no custo.
2. Calagem e correção do solo: V%, saturação por bases e PRNT
O milho é exigente em fertilidade e sensível ao alumínio tóxico. Sem correção, as raízes exploram um volume menor de solo e a cultura sofre no primeiro veranico — justamente quando a demanda por água e nitrogênio é maior.
A calagem é calculada pelo método da saturação por bases, a partir do V% atual, do V% desejado e da CTC a pH 7,0, com a dose ajustada pelo PRNT do calcário. Para milho no Cerrado, publicações da Embrapa Cerrados trabalham com elevação da saturação por bases para uma faixa em torno de 50 a 60%, com atenção à relação entre cálcio e magnésio.
Onde há impedimento químico em profundidade, o gesso agrícola complementa a calagem levando cálcio e enxofre para camadas mais fundas, o que favorece o aprofundamento radicular. Calagem e gessagem resolvem problemas diferentes e não se substituem.
- V% desejado para milho no Cerrado: faixa de referência de 50 a 60%, conforme Embrapa Cerrados.
- Ajuste sempre a tonelada por hectare pelo PRNT do calcário comprado.
- Gessagem melhora o ambiente radicular em profundidade e fornece enxofre.
3. Adubação de base: fósforo e potássio
Na base, o milho recebe todo o fósforo, boa parte do potássio e uma fração do nitrogênio. O fósforo é pouco móvel e deve ser posicionado no sulco de plantio; o milho é particularmente sensível à deficiência de P nos primeiros estádios, quando o sistema radicular ainda é pequeno.
Como na soja, a decisão entre construir e manter fertilidade vem da interpretação da análise de solo. Em teor baixo de P, aplica-se acima da exportação; em teor adequado, repõe-se o exportado. Faixas de referência para lavouras de 150 a 200 sacas por hectare ficam por volta de 70 a 120 kg de P2O5 por hectare.
O potássio pode ser dividido entre plantio e cobertura, especialmente em solos arenosos, onde o risco de lixiviação é maior. No sulco, a soma de N e K2O precisa ser limitada para não causar dano à semente — outro motivo para antecipar parte do potássio a lanço quando a dose é alta. Fórmulas prontas como 04-14-08 e 08-28-16 são comuns na base do milho, e a escolha entre elas deve refletir a relação de nutrientes que a análise pede.
- Todo o fósforo no sulco: o milho responde muito ao P no início do ciclo.
- Faixa de referência de P2O5 para 150 a 200 sc/ha: cerca de 70 a 120 kg por hectare.
- Solos arenosos: parcelar o potássio reduz perda por lixiviação.
4. Nitrogênio: adubação de cobertura, parcelamento e fontes
O milho não fixa nitrogênio, então a cobertura nitrogenada é a operação de maior impacto na produtividade. A prática usual aplica uma parte pequena do N no plantio (para o arranque) e o restante em cobertura, entre os estádios V4 e V8, quando a cultura entra na fase de maior demanda e a definição do número de grãos por espiga está em curso.
Parcelar em duas coberturas é recomendável em doses altas, em solos arenosos e em regiões de chuva irregular: reduz a perda por lixiviação e acompanha melhor a curva de absorção da planta. Aplicar tudo de uma vez, muito tarde, costuma chegar depois que o potencial produtivo já foi definido.
Entre as fontes, a ureia (45% de N) é a mais barata por quilo de nitrogênio, mas sofre volatilização de amônia quando aplicada na superfície, em solo seco, sem incorporação e sem chuva nos dias seguintes. O sulfato de amônio (21% de N e cerca de 24% de S) tem menor risco de volatilização e fornece enxofre, porém traz menos nitrogênio por tonelada — o que exige comparar as duas fontes pelo custo do quilo de N posto na fazenda, e não pelo preço da tonelada do produto.
- Momento da cobertura: tipicamente entre V4 e V8, antes da definição do potencial produtivo.
- Parcele o N em doses altas, solos arenosos ou chuva irregular.
- Ureia: mais N por tonelada, maior risco de volatilização em superfície.
- Sulfato de amônio: menos N por tonelada, fornece enxofre, menor perda por volatilização.
- Compare fontes pelo custo do quilo de N posto na fazenda, não pelo preço da tonelada.
5. Doses por produtividade esperada: faixas de referência
As faixas abaixo são referências de literatura para solos de Cerrado em manutenção, úteis para ordem de grandeza e para conversar com o seu agrônomo — não são recomendação. Elas partem da exportação por tonelada de grão descrita em publicações da Embrapa Cerrados e variam com histórico da área, sistema de produção e resposta local.
Para converter em produto: 140 kg de N por hectare equivalem a cerca de 311 kg de ureia (45% de N) ou a cerca de 667 kg de sulfato de amônio (21% de N). Com o preço CIF por tonelada de cada fonte no seu município, dá para escolher entre elas com número na mão em vez de hábito.
- 150 sc/ha (9 t): faixa de referência de 100 a 140 kg de N, 70 a 90 kg de P2O5 e 60 a 80 kg de K2O por hectare.
- 180 sc/ha (10,8 t): faixa de referência de 120 a 160 kg de N, 80 a 105 kg de P2O5 e 70 a 95 kg de K2O por hectare.
- 200 sc/ha (12 t): faixa de referência de 140 a 180 kg de N, 90 a 120 kg de P2O5 e 80 a 110 kg de K2O por hectare.
- Milho safrinha: doses tipicamente menores, ajustadas ao potencial e ao risco climático da janela.
6. Enxofre e micronutrientes: B e Zn no Cerrado
O milho responde bem ao enxofre, sobretudo em áreas que migraram para fontes fosfatadas e nitrogenadas concentradas. O sulfato de amônio resolve nitrogênio e enxofre na mesma operação de cobertura; o gesso agrícola é a alternativa quando também se busca cálcio em profundidade.
Entre os micronutrientes, o zinco é o caso clássico do milho no Cerrado: a deficiência aparece como faixas claras entre as nervuras nas folhas novas e encurtamento de entrenós, e se agrava em solos arenosos e após calagem pesada. O boro também merece atenção em solos de baixo teor de matéria orgânica.
A dose de micronutriente precisa sair da análise de solo. Excesso de boro é fitotóxico e o zinco aplicado sem necessidade é custo sem retorno.
- Enxofre: sulfato de amônio na cobertura ou gesso agrícola.
- Zinco: o micronutriente de resposta mais frequente no milho em solos de Cerrado.
- Boro: atenção em solos arenosos e pobres em matéria orgânica.
7. Erros comuns na adubação do milho
Os erros mais caros no milho quase sempre envolvem o nitrogênio: dose, momento ou forma de aplicação. Vale revisar a lista antes do plantio.
- Aplicar a cobertura nitrogenada tarde demais, depois da fase de maior demanda.
- Aplicar ureia em superfície, em solo seco e sem previsão de chuva, e perder N por volatilização.
- Concentrar nitrogênio e potássio demais no sulco, prejudicando a germinação.
- Comparar ureia e sulfato de amônio pelo preço da tonelada, e não pelo custo do quilo de nitrogênio.
- Não parcelar o N em solo arenoso ou em ano de chuva irregular.
- Ignorar o zinco em área recém-calcariada.
- Repetir a adubação do ano anterior sem análise de solo atualizada.
8. Referências e aviso técnico
Sousa, D.M.G.; Lobato, E. (2004). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica / Embrapa Cerrados.
Sousa, D.M.G.; Rein, T.A.; Nunes, R.S.; Santos Junior, J.D.G. (2016). Manejo da fertilidade do solo no Cerrado. Planaltina: Embrapa Cerrados.
Este conteúdo é educativo e serve como apoio à decisão. As faixas apresentadas são referências de literatura para solos de Cerrado e não substituem a recomendação de um engenheiro agrônomo habilitado, responsável legal pela recomendação técnica da sua lavoura.
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Usar a calculadora gratuitaPerguntas frequentes
Quanto de NPK por hectare no milho?
Depende da análise de solo e da produtividade esperada. Faixas de referência para 150 a 200 sacas por hectare em solo corrigido ficam entre 100 e 180 kg de N, 70 e 120 kg de P2O5 e 60 e 110 kg de K2O por hectare, com a maior parte do nitrogênio aplicada em cobertura.
Quanto de ureia por hectare no milho?
A ureia tem 45% de nitrogênio, então cada 100 kg de N exigem cerca de 222 kg de ureia. Para uma dose de 140 kg de N por hectare, isso equivale a aproximadamente 311 kg de ureia por hectare, normalmente parcelados entre plantio e cobertura.
Qual a melhor época de adubação de cobertura no milho?
A janela usual vai de V4 a V8, antes do período em que se define o número de grãos por espiga. Em doses altas ou solos arenosos, parcelar em duas coberturas dentro dessa faixa reduz perdas e acompanha melhor a absorção.
Qual fórmula NPK usar no milho?
Fórmulas de base como 04-14-08 e 08-28-16 são comuns porque concentram fósforo com um pouco de nitrogênio de arranque. A escolha correta depende da relação entre P2O5 e K2O indicada pela sua análise de solo, e o grosso do nitrogênio vem depois, em cobertura.
Ureia ou sulfato de amônio: qual compensa mais?
Compare pelo custo do quilo de nitrogênio posto na fazenda. A ureia tem 45% de N e costuma ser mais barata por quilo de N; o sulfato de amônio tem 21% de N, fornece enxofre e perde menos por volatilização em aplicação superficial.
Como fazer a calagem para milho?
Use o método da saturação por bases, elevando o V% para a faixa de 50 a 60% indicada em publicações da Embrapa Cerrados, corrija a dose pelo PRNT do calcário e aplique com antecedência suficiente para a reação no solo.
Precisa aplicar zinco no milho?
Com frequência sim em solos de Cerrado, especialmente arenosos ou após calagem pesada, situações em que a deficiência de zinco é comum. A dose deve sair da análise de solo, porque aplicação sem necessidade é custo sem retorno.
A adubação do milho safrinha é igual à do milho verão?
Não. Na safrinha o potencial produtivo e a janela de chuva são menores, então as doses tendem a ser reduzidas e o parcelamento do nitrogênio precisa considerar o risco climático da janela.
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Sócio e fundador da LeveAgro
Sócio e fundador da LeveAgro. Mais de 20 anos de experiência internacional nos mercados de commodities agrícolas e financeiro, com passagens pela Louis Dreyfus Company e pela Czarnikow, em Londres.
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