Comparador de Fertilizantes: Vale a Pena Trocar Granulado por Biológico ou Foliar?

Calculadora com dados de campo da Embrapa. Insira seus números e veja o retorno real.

Dados de +415 áreas comerciais (Embrapa Milho e Sorgo) e Hungria et al.

Prefere entender a metodologia antes? Leia o artigo completo no blog.

Calculadora de retorno

A ferramenta faz a matemática: não recomenda produto, marca nem categoria. Os resultados mudam em tempo real e o link da página guarda o seu cenário — copie a URL para compartilhar.

1

Escolha a cultura

2

Modo de preenchimento

3

Cenário base — seu programa atual

sc/ha

Valor de referência — ajuste conforme sua realidade

Preset da cultura — use o modo completo para editar

kg/ha

Valor de referência — ajuste conforme sua realidade

R$/ton

Valor de referência — ajuste conforme sua realidade

R$

Valor de referência — ajuste conforme sua realidade

4

Cenário alternativo — produto que você quer testar

Bradyrhizobium (soja) / Azospirillum (milho) · Complementa o granulado (não substitui)

Esta categoria não substitui adubação granulada segundo as fontes citadas.

Default da categoria: 100 mL/ha

R$/ha

Campo em branco por padrão — informe o valor do seu fornecedor.

R$/ha
8,0%
4,0%12,0%

Faixa: 4,0% a 12,0%. Fonte: Hungria et al. 2007; Embrapa Soja. Mova o slider conforme sua estimativa ou experiência de campo.

5

Resultados

Nutrientes entregues pelo granulado (2-20-18 a 350 kg/ha)

Nitrogênio (N)

7,0 kg/ha

R$ 57,67/ha do custo

Fósforo (P₂O₅)

70,0 kg/ha

R$ 663,18/ha do custo

Potássio (K₂O)

63,0 kg/ha

R$ 441,16/ha do custo

Enchimento e demais componentes (material inerte): 210,0 kg/ha, R$ 63,00/ha. Ajuste a formulação no modo completo para ver o impacto na repartição do custo.

Custo por hectare

Atual
R$ 1.225,00
Alternativo
R$ 1.225,00

Produtividade estimada

Atual
60,0 sc/ha
Alternativo
64,8 sc/ha

Receita por hectare

Atual
R$ 8.400,00
Alternativo
R$ 9.072,00

Retorno líquido por hectare

Atual
R$ 7.175,00
Alternativo
R$ 7.847,00

ROI sobre o investimento adicional

Sem investimento adicional em relação ao programa atual.

Payback em sacas

Sem investimento adicional a recuperar.

Custo e lucro por hectare: programa atual vs alternativo

Teste de sensibilidade

Se o preço da unidade vendida cair 10% (de R$ 140,00 para R$ 126,00), o retorno adicional do programa alternativo vira R$ 604,80/ha.

Perguntas Frequentes

Vale a pena trocar fertilizante granulado por biológico?

Na maioria dos casos não se trata de troca, e sim de combinação. Os inoculantes e solubilizadores atuam sobre processos biológicos do solo — fixação biológica de nitrogênio e disponibilização de fósforo já presente no perfil — enquanto o granulado entrega nutrientes prontamente disponíveis. A exceção parcial é o fósforo: solubilizadores de P têm sido usados para reduzir parte da dose de P2O5 em áreas com bom teor no solo.

A conta que realmente importa é a incremental: quanto custa a mais o programa alternativo e quantas sacas a mais ele precisa entregar para se pagar. Como o custo por hectare de um inoculante é baixo em relação ao valor da produção, o ponto de equilíbrio costuma ser de poucas sacas — mas isso só se confirma se o ganho de produtividade acontecer na sua lavoura.

Use a calculadora acima com os seus preços e mova o slider de ganho dentro da faixa da literatura. Se o retorno só for positivo no topo da faixa, o programa é arriscado para a sua realidade.

Quanto rende a coinoculação em soja?

A coinoculação combina Bradyrhizobium (fixador de nitrogênio) com Azospirillum brasilense (promotor de crescimento radicular). Nos trabalhos conduzidos por Hungria e colaboradores (2013) e nas avaliações da Embrapa no Paraná, a média de safras apontou ganhos na faixa de 11% a 25%, com valor central em torno de 16%.

Esse número é uma média de ambientes. Em solos de cultivo antigo, com população nativa de rizóbio estabelecida e boa disponibilidade hídrica, o ganho tende ao piso da faixa. Em áreas de abertura, reinoculação anual ou com estresse hídrico moderado, a resposta costuma ser maior.

Por ser um insumo de custo baixo por hectare, mesmo o piso da faixa geralmente cobre o investimento — mas o cálculo deve considerar também o custo operacional do tratamento de sementes.

Azospirillum realmente funciona em milho?

As estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense foram selecionadas pela Embrapa exatamente para o milho e são a base dos inoculantes registrados no Brasil. Nos resultados divulgados pela Embrapa Soja e pela Embrapa Milho e Sorgo, os incrementos observados ficaram em uma faixa ampla, com valor de referência em torno de 26% e extremos de 15% a 38%.

O mecanismo principal não é fixação de nitrogênio em escala comercial, e sim a produção de fitormônios que estimulam o crescimento radicular — o que melhora a exploração de água e nutrientes. Por isso a resposta é maior quando há alguma limitação de absorção, e menor em lavouras já muito bem adubadas e sem restrição hídrica.

O Azospirillum não substitui a adubação nitrogenada de cobertura. Ele deve ser considerado um complemento cujo retorno depende do quanto a raiz consegue explorar melhor o solo.

BiomaPhos substitui o superfosfato?

Não integralmente. Produtos à base de Bacillus subtilis e Bacillus megaterium atuam solubilizando o fósforo já presente no solo em formas pouco disponíveis, além de melhorar o aproveitamento do fósforo aplicado. Eles ampliam a eficiência do sistema, mas não criam fósforo onde ele não existe.

Nas avaliações da Embrapa Milho e Sorgo em 415 áreas comerciais na safra 2020/21, os incrementos em soja variaram de 1,3% a 15,8%, com média em torno de 7,8%. Em milho, as avaliações conduzidas em MG, MT, GO, PR, SC e RS indicaram valor central próximo de 8,9%.

A redução parcial da dose de P só faz sentido em solos com teor de fósforo já construído. Em solos pobres, reduzir a adubação fosfatada tende a derrubar a produtividade, independentemente do inoculante. Na calculadora, use o campo de redução do granulado com cautela e apenas se a análise de solo permitir.

Fertilizante foliar substitui a adubação de solo?

Não. A área foliar tem capacidade limitada de absorção e as doses aplicadas via folha são de ordem de grandeza muito menor do que a demanda total da cultura por macronutrientes. Uma lavoura de soja de alta produtividade extrai dezenas de quilos de nitrogênio e potássio por hectare; uma aplicação foliar entrega poucos quilos.

O papel da adubação foliar é corretivo e pontual: repor micronutrientes deficientes (boro, zinco, manganês, molibdênio, cobre) em momentos críticos, ou aliviar um estresse temporário. Nesses casos, quando existe deficiência prévia comprovada, os ganhos relatados na literatura ficam tipicamente na casa de 2% a 6%.

Se não há deficiência, a resposta esperada tende a zero — e o custo da aplicação, incluindo a operação de pulverização, entra inteiro no prejuízo. Por isso a calculadora separa o custo do produto do custo operacional por aplicação.

Quando o biológico não funciona bem?

Os principais fatores de falha são de manejo, não do produto. Incompatibilidade com fungicidas e inseticidas no tratamento de sementes, intervalo longo entre o tratamento e a semeadura, exposição do inoculante ao sol ou ao calor, e armazenamento fora da faixa de temperatura recomendada reduzem drasticamente a população viável de bactérias.

Condições de solo também limitam a resposta: pH muito baixo, alumínio tóxico, compactação, encharcamento ou seca severa impedem a colonização radicular. Em lavouras onde o fator limitante é físico ou químico, corrigir o solo tem retorno maior do que adicionar biológicos.

Por fim, há o efeito do teto produtivo. Em áreas que já operam próximo do potencial da cultivar, com adubação equilibrada e histórico de inoculação, o ganho marginal tende ao piso da faixa da literatura. Nesses casos, o cenário conservador do slider é o mais realista.

Glossário técnico

NPK
Sigla dos três macronutrientes principais: nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O). A formulação 02-20-18, por exemplo, indica 2% de N, 20% de P2O5 e 18% de K2O em massa.
FBN (Fixação Biológica de Nitrogênio)
Processo em que bactérias associadas às raízes convertem o nitrogênio do ar (N2) em formas assimiláveis pela planta. Na soja, a FBN pode suprir a maior parte da demanda de nitrogênio da cultura.
Coinoculação
Aplicação conjunta de dois grupos de microrganismos — tipicamente Bradyrhizobium (fixador de N) e Azospirillum brasilense (promotor de crescimento) — buscando efeito complementar sobre nodulação e sistema radicular.
MSP (Microrganismos Solubilizadores de Fósforo)
Bactérias, como Bacillus subtilis e Bacillus megaterium, capazes de disponibilizar fósforo fixado no solo por meio da liberação de ácidos orgânicos e enzimas, aumentando o aproveitamento do P já presente.
Bioestimulante
Produto à base de extratos de algas, ácidos húmicos e fúlvicos ou aminoácidos, que atua sobre o metabolismo da planta e sobre a tolerância a estresses, sem ser classificado como fertilizante nutricional.
Adubação foliar
Aplicação de nutrientes diretamente sobre as folhas. Tem caráter complementar e corretivo, sobretudo para micronutrientes, por causa da capacidade limitada de absorção da folha.
ROI agrícola
Retorno sobre o investimento incremental. Divide o ganho líquido adicional pelo custo adicional do programa e expressa o resultado em percentual: ROI de 100% significa que cada real investido a mais retornou um real de lucro extra.

Referências

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